{"id":208,"date":"2000-01-29T16:14:00","date_gmt":"2000-01-29T15:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.menschenrechte.org\/es\/?p=208"},"modified":"2019-02-20T16:14:40","modified_gmt":"2019-02-20T15:14:40","slug":"brasil-massacre-dos-carajas-fica-impune","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.menschenrechte.org\/es\/2000\/01\/29\/brasil-massacre-dos-carajas-fica-impune\/","title":{"rendered":"BRASIL: Massacre dos Caraj\u00e1s fica impune"},"content":{"rendered":"<p><strong>H. Dressel<\/strong><\/p>\n<p>A absolvi\u00e7\u00e3o dos primeiros 3 entre 153 acusados a serem julgados pela morte de 19 sem-terra do massacre dos Caraj\u00e1s, abriu caminho para impunidade num dos crimes de maior repercuss\u00e3o internacional j\u00e1 cometidos no Brasil.<\/p>\n<p>Os 3 oficiais que comandaram a opera\u00e7\u00e3o de desobstru\u00e7\u00e3o da rodovia PA-150 bloqueada por 1.500 camponeses sem-terra em Eldorado dos Caraj\u00e1s, que em 17 de abril de 1996 protestaram contra a demora do governo em assentar suas fam\u00ed\u00adlias, &#8211; o coronel M\u00e1rio Pantoja, na hora comandante do 4\u00ba Batalh\u00e3o de Pol\u00ed\u00adcia Militar de Par\u00e1, o major Jos\u00e9 Maria Oliveira, que comandou um quartel da PM na regi\u00e3o, e o capit\u00e3o Raimundo Almendra &#8211; foram absolvidos por um tribunal de j\u00fari na cidade de Bel\u00e9m do Par\u00e1. Foram os primeiros dos 153 pol\u00ed\u00adcias militares que, at\u00e9 o fim do ano, deveriam ser julgados pelo crime brutal.<\/p>\n<p>Se o atual julgamento terminou com a absolvi\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us, os que deveriam seguir dificilmente ter\u00e3o resultado diferente, j\u00e1 que, no caso dos oficiais, devido as suas fun\u00e7\u00e3es de comando, poderia haver a possibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o individual. A responsibiliza\u00e7\u00e3o individual dos soldados \u00e9 praticamente imposs\u00ed\u00advel, pois n\u00e3o se consegue saber quem atirou em quem. O registro da entrega das armas simplesmente desapareceu.<\/p>\n<p>O fato decisivo para a absolvi\u00e7\u00e3o dos oficiais da PM aconteceu, quando um dos jurados pediu para rever um v\u00ed\u00addeo com as imagens do come\u00e7o do conflito entre os militares e os sem-terra. O que se viu foi um sem-terra atirando contra a pol\u00ed\u00adcia. Esta imagem refor\u00e7ou a tese da defesa, que apontava o massacre como resultado da leg\u00ed\u00adtima defesa dos PMs ao ataque dos sem-terra.<\/p>\n<p>As imagens, por\u00e9m, mostram apenas o come\u00e7o de uma batalha de 40 minutos. N\u00e3o documentam o que aconteceu depois, pois a c\u00e2mara da pessoa que registrava o conflito foi aprendida (e guardado em segredo pela PM). O que se sabe com certeza \u00e9 que pelo menos 10 das v\u00ed\u00adtimas entre os 19 sem-terra mortos foram fria- e sum\u00e1riamente executadas a tiros o com seus corpos retalhados a golpes de foice pelos PMs, depois que o confronto j\u00e1 havia acabado. Al\u00e9m dos 19 mortos havia 51 feridos.<\/p>\n<p>Os observadores do julgamento de Bel\u00e9m ficaram estupefatos. Esperava-se penas entre 12 e 30 anos. Mas o que houve: a absolvi\u00e7\u00e3o? O promotor, Mar\u00e7o Aur\u00e9lio Nascimento, vai pedir a anula\u00e7\u00e3o do julgamento. O coordenador do Movimento dos Sem Terra, Jo\u00e3o Pedro Stedile, afirmou que &#8220;o juiz Ronaldo Valle ser\u00e1 o respons\u00e1vel se houver mais mortes de sem-terra no Par\u00e1. Ele decretou a impunidade.&#8221; Acontece que no decorrer de 20 anos j\u00e1 houve 115 mortos s\u00f3 em chacinas. O ministro da Reforma Agr\u00e1ria, Raul Jungmann, n\u00e3o escondeu sua profunda decep\u00e7\u00e3o com as absolvi\u00e7\u00e3es.. Os sem-terra que fora do pr\u00e9dio acompanhavam o julgamento, expressaram sua raiva apedrejando a pol\u00ed\u00adcia.<\/p>\n<p>Nuremberg Agosto de 1999<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><strong>H. Dressel<\/strong><\/p>\n<p>A absolvi\u00e7\u00e3o                dos primeiros 3 entre 153 acusados a serem julgados pela morte de                19 sem-terra do massacre dos Caraj\u00e1s, abriu caminho para                impunidade num dos crimes de maior repercuss\u00e3o internacional                j\u00e1 cometidos no Brasil. 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