{"id":214,"date":"1999-08-17T16:18:19","date_gmt":"1999-08-17T14:18:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.menschenrechte.org\/es\/?p=214"},"modified":"2019-02-20T16:19:06","modified_gmt":"2019-02-20T15:19:06","slug":"in-memoriam-maria-auxiliadora-barcelos-lara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.menschenrechte.org\/es\/1999\/08\/17\/in-memoriam-maria-auxiliadora-barcelos-lara\/","title":{"rendered":"IN MEMORIAM MARIA AUXILIADORA BARCELOS LARA"},"content":{"rendered":"<p><strong>H. Dressel<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias estivemos em Berlim, aproveitando a ocasi\u00e3o para visitar uns lugares onde em meados da d\u00e9cada 70 andava nossa amiga brasileira Maria Auxiliadora Barcelos Lara. Na \u00e9poca ela foi bolsista do Programa Ecum\u00eanico de Bolsas de Estudos mantido pela Igreja Evang\u00e9lica da Alemanha. Visitamos entre outros lugares a Casa de Estudantes na romantica Mollwitzstrasse em Berlin-Charlottenburg, onde a Dora como tamb\u00e9m outros refugiados brasileiros moravam; fizemos um pulo ao Hospital em Berlin-Spandau, onde h\u00e1 quase um quarto de s\u00e9culo tinha visitado a estudante de medicina, que naquele momento ficava mesmo internada l\u00e1. Finalmente, busquamos aquela id\u00ed\u00adlica igreja de Berlin-Neu Westend, onde no dia 15 de junho de 1976 tinhamos a triste incumb\u00eancia de conduzir o Ato de Comemora\u00e7\u00e3o em mem\u00f3ria da jovem exilada.<\/p>\n<p>Confesso que, ao lembrar-me de novo dos detalhes da triste hist\u00f3ria de nossa falecida estudante Maria Auxiliadora Barcelos Lara &#8211; todo mundo a chamara de \u201eDora\u201e &#8211; n\u00e3o posso evitar que, dolorosamente comovido como h\u00e1 23 anos atraz, me correm as l\u00e1grimas pelo rosto, e me d\u00f3e o cora\u00e7\u00e3o como naquele dia &#8211; 1 de junho de 1976 &#8211; quando fui informado do incidente chocante que nos parecia incr\u00ed\u00advel.<\/p>\n<p>Foi em meados de Fevereiro de 1974 que &#8211; atrav\u00e9s dos bolsistas Gast\u00e3o e Jussara Heberle &#8211; tomei conhecimento da chegada duma turma de brasileiros na cidade de Col\u00ed\u00b4nia, que tinha-se refugiado tempor\u00e1riamente no M\u00e9xico depois de ter escapado da ca\u00e7a aos &#8220;estrangeiros comunistas&#8221; que logo depois do golpe de setembro havia come\u00e7ado em Santiago de Chile.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca dirig\u00ed\u00ad uma institui\u00e7\u00e3o da Igreja Evang\u00e9lica da Alemanha, Obra Ecum\u00eanica de Estudos- \u00d6SW &#8211; e fui respons\u00e1vel pelo setor de bolsas para estudantes graduados provindos dos pa\u00ed\u00adses do \u201eTerceiro Mundo\u201e, e, tradicionalmente inclu\u00ed\u00ada-se no programa de bolsas tamb\u00e9m estudantes refugiados, que depois do golpe militar em Chile n\u00e3o fizeram falta na Europa.<\/p>\n<p>O hemisf\u00e9reo latino-americano naqueles anos tinha passado por graves convuls\u00e3es. Salvador Allende, ainda senador, tinha uma vez observado: &#8220;A revolu\u00e7\u00e3o cubana \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o nacional &#8211; mas ao mesmo tempo uma revolu\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina inteira. Ela indicou o caminho \u00ed\u00a0 liberta\u00e7\u00e3o de todos os nossos povos.&#8221; Assim foi.<\/p>\n<p>A juventude de orienta\u00e7\u00e3o esquerdista sentiu-se iludido pelo imobilismo dos comunistas ortod\u00f3xos e pela pol\u00ed\u00adtica de acordos com as for\u00e7as democr\u00e1ticas da burguesia que tinham tomado posi\u00e7\u00e3o contra o imperialismo e contraa oligarquia. Muito ao contr\u00e1rio do comunismo ortod\u00f3xo, que tinha optado pela ordem, a juventude mostrou-se atra\u00ed\u00adda pela esquerda radical-revolucion\u00e1ria com sua ret\u00f3rica da luta armada, inspirada pelas utopias do fidelismo e do mao\u00ed\u00adsmo, e optou pela luta armada, antes de tudo pela guerrilha urbana. Atrav\u00e9s dos escritos de Ernesto Che Guevara e de R\u00e9gis Debray entrou a teoria do foco acompanhado pela id\u00e9ia da primazia do fator militar sobre o fator pol\u00ed\u00adtico.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o impulso mais importante para a juventude foi o m\u00ed\u00adto de Che Guevara. Em 10 de mar\u00e7o de 1967 a imprensa informava sobre o primeiro encontro armado na selva de Bol\u00ed\u00advia. Logo depois, no dia 20 de abril, o jornalista e simpatisante franc\u00eas R\u00e9gis Debray foi preso, e em 7 de junho decretou-se o est\u00e1do de s\u00ed\u00adtio em todo territ\u00f3rio boliviano at\u00e9 o momento em que o ex\u00e9rcito assumiu o controle sobre o governo de Bol\u00ed\u00advia, no m\u00eas de julho. Em 8 de outubro de 1967 Che Guevara foi fuzilado na regi\u00e3o da cordillera.<\/p>\n<p>O fracasso imediato do profeta da teoria de foco, do \u00ed\u00addolo da juventude latino-americana, Che Guevara, n\u00e3o prejudicou a euforia revolucion\u00e1ria vigente na \u00e9poca: O m\u00ed\u00adto de Che Guevara, Ho Chi Minh e Mao Tse Tung ganhou terreno entre os estudantes em todo mundo, de Berkeley, Paris, Berlin, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Santiago de Chile, Lima, La Paz, Bogot\u00e1 e Guatemala-City. Che tornou-se &#8220;a grande esper\u00e2n\u00e7a da vangu\u00e1rdia em toda Am\u00e9rica Latina. Ele tornou-se multiplicador de revolu\u00e7\u00e3es.&#8221; (Eduardo Galeano). Apesar de ser morto ele n\u00e3o perdera nada de sua fascina\u00e7\u00e3o. Sobreviveu como o m\u00ed\u00adto da gera\u00e7\u00e3o do ano \u201e68&#8243; da Am\u00e9rica Latina. &#8220;Haviamos predito que a guerra seria continental. Isto significa que tamb\u00e9m ser\u00e1 prolongada; haver\u00e1 muitas frentes, custar\u00e1 muito sangue, in\u00fameras vidas durante um longo tempo ao produzir-se a tomada do poder pela vanguarda armado do povo ter\u00e1 se cristalizando a primeira etapa da revolu\u00e7\u00e3o socialista &#8221; diz Che Guevara nos Textos Revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Na Confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) que tomou lugar em Havana entre os dias de 31 de julho e 10 de agosto de 1967, participou tamb\u00e9m Marighella, que voltou com a mensagem, que o momento n\u00e3o era para debates, mas que a hora era da luta armada, da guerra popular.<\/p>\n<p>Era isto, que tamb\u00e9m a Dora declarou na entrevista de Havana (Casa de las Am\u00e9ricas Mayo-Junio 1972 A\u00f1o XII N.72 La Habana, Cuba, Testemonio, Brasil: reporte sobre la tortura [Saul Landau]): Disse, que o grupo dela em 1968 tinha escolhido a insurrec\u00e3o armada, &#8220;porque los m\u00e9todos pac\u00ed\u00adficos o la actividad pol\u00ed\u00adtica no pueden utilizarse como los principales medios en Brasil hoy. S\u00f3lo lucha armada dar\u00e1 resultados cuando se trate de organizar al pueblo y de formar un ej\u00e9rcito popular. Lo que pasa es que los m\u00e9todos violentos que utilizamos para luchar contra la dictadura militar brasile\u00f1a no son el resultado de una decisi\u00f3n gratuita por nuestra parte, sino m\u00e1s bien la consecuencia de la pol\u00ed\u00adtica gobernamental antidemocr\u00e1tica, que nos ha impedido, desde 1964, participar en el proceso pol\u00ed\u00adtico brasile\u00f1o, en una campa\u00f1a pac\u00ed\u00adfica por el desarrollo del Brasil. No se puede poner en duda el hecho de que el grupo de los l\u00ed\u00adderes militares brasile\u00f1os, al servicio de intereses extranjeros, ha estado en el poder desde el golpe de 1964. Es decir, el gobierno nos impedi\u00f3 enfrascarnos en procesos pol\u00ed\u00adticos pacificos. Si hoy hemos tenido que recurrir a las armas en el Brasil, no es porque seamos asesinos, como proclaman los que est\u00e1n en el poder, sino a causa de la pol\u00ed\u00adtica criminal de este gobierno hacia los brasile\u00f1os.&#8221;<\/p>\n<p>Jacob Gorender (COMBATE NAS TREVAS A ESQUERDA BRASILEIRA das ilusoes perdidas \u00ed\u00a0 luta armada) consta, que em 1968 registraram-se onze assaltos \u00ed\u00a0 ag\u00eancias banc\u00e1rias, cinco \u00ed\u00a0 carros pagadores e um trem pagador em S\u00e3o Paulo, e at\u00e9 meados do ano seguinte j\u00e1 eram atacadas mais 31 ag\u00eancias banc\u00e1rias e um carro pagador.<\/p>\n<p>No anos 60 e 70, depois do choque cubano, e mais tarde, do choque chileno &#8211; fatos que profundamente preocuparam todas as sociedades latino-americanas surgiu no continente uma nova filosofia do estado, melhor uma ideologia, baseando-se num conceito de Seguran\u00e7a Nacional, proliferado pelos Estados Unidos. O conceito de Seguran\u00e7a Nacional baseava-se na id\u00e9ia da amea\u00e7a iminente pelo comunismo, que terminaria numa terceira guerra mundial. Nos pa\u00ed\u00adses do sub-continente temia-se, antes de qualquer agressor que podia vir de fora, o inimigo interno, t\u00ed\u00adpo quinta coluna do marxismo internacional que devia ser combatida a fim de garantir um desenvolvimento em ambiente de seguran\u00e7a. No Brasil, o general Golbery do Couto e Silva fundou o SNI &#8211; Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00e3o &#8211; instrumento principal da repress\u00e3o, que agiu sem nenhum limite.<\/p>\n<p>As for\u00e7as crist\u00e3s-sociais nos pa\u00ed\u00adses sulamericanos por tradi\u00e7\u00e3o combateram o comunismo, mas ao mesmo tempo tomaram posi\u00e7\u00e3o contra a ordem estabelecida na sua respectiva sociedade. No Brasil muitos dos jovens revolucion\u00e1rios emergiram das respectivas organiza\u00e7\u00e3es da igreja com a sua doutrina social provindo do Vaticano II. A igreja e as suas respectivas organiza\u00e7\u00e3es para a juventude &#8211; JUC e JOC etc. &#8211; em termos de idealismo, radicalismo e rigor moral na pr\u00e1tica quase n\u00e3o se distinguiram dos marxistas em cujas fileiras eles finalmente entraram. &#8220;Se exhorte con claridad y firmeza&#8221; diz Pe. Miguel Ramondettia, &#8220;los cristianos del continente a optar por todo aquello que contribuya a la liberaci\u00f3n real del hombre latinoamericano y la instauraci\u00f3n de una sociedad m\u00e1s justa y fraternal &#8230; estoy completamente de acuerdo en que es imprescindible para la construcci\u00f3n del hombre nuevo, la existencia de una sociedad en la qual sea abolida la propriedad privada y sean socializados los medios de producci\u00f3n.&#8221; (Alejandro Dorrego, Victoria Azurduy, El Caso Argentino, Hablan sus protagonistas, M\u00e9xico 1977). &#8220;Tenemos un profundo respeto por los j\u00f3venes cat\u00f3licos que ya, considerando que las instancias pac\u00ed\u00adficas han sido clausuradas, eligen el camino de las armas siguiendo el ejemplo de San Mart\u00ed\u00adn, el ejemplo de &#8220;Che&#8221; Guevara y luchan por la liberaci\u00f3n de sus pueblos.&#8221; (Pe. Carlos M\u00fajica) Os revolucion\u00e1rios enfrentaram a viol\u00eancia injusta dos opressores com a justa violencia dos oprimidos e entendiam a sua luta como defesa leg\u00ed\u00adtima.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o para a Solidariedade Latino-americana &#8211; OLAS &#8211; que foi fundada no ano de 1967 em Havana, exigiu e apoiou a luta guerrilheira, considerada necess\u00e1ria e fundamental para a revolu\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. No Brasil, Celso Furtado &#8211; Subdesenvolvimento e Estagna\u00e7\u00e3o &#8211; 3. ed., Rio de Janeiro 1968 entrou nos mesmos trilhos. Assim a juventude latino-americana desilusionou-se cada vez mais com o discurso democr\u00e1tico e optou pela palavra de ordem fidelista: luchar en vez de pleitear ! No Brasil nem existiu a possibilidade do pleito livre.<\/p>\n<p>Em 1969, ap\u00f3s tr\u00eas anos de estudos bem-sucedidos em Belo Horizonte, tamb\u00e9m a Dora submergiu para a clandestinidade na metr\u00f3pole do Rio de Janneiro. Com os seus companheiros n\u00e3o viu outra sa\u00ed\u00adda. Ironia do destino: o propriet\u00e1rio de sua moradia, na qual convivia com seu namorado, era informante da Policia. As for\u00e7as de seguran\u00e7a fizeram uma batida. Ap\u00f3s dois anos de pris\u00e3o o governo trocou Dora, junto com outros 69 presos politicos, pelo embaixador su\u00ed\u00ad\u00e7o Giovanni Erico Buch seq\u00fcestrado pela guerrilha urbana, e a embarcou para o Chile. L\u00e1, deu seq\u00fc\u00eancia a seu estudo da Medicina, e quase o havia terminado ao ter de procurar prote\u00e7\u00e3o pol\u00ed\u00adtica na embaixada mexicana de Santiago, contra os militares chilenos, ap\u00f3s o golpe de de setembro de 1973.<\/p>\n<p>Era de fato como Che Guevara tinha profetizado ao falar das convuls\u00e3es revolucion\u00e1rias no subcontinente: custar\u00e1 muito sangue, in\u00fameras vidas durante um longo tempo.<\/p>\n<p>Encontrei os amigos brasileiros da turma com que a Dora chegou \u00ed\u00a0 Alemanha em meados de fevereiro de 1974. Tratou-se de pessoas que j\u00e1 foram exilados duas vezes.<\/p>\n<p>Dora tinha sido levada para Santiago de Chile no m\u00eas de janeiro de 1971 no contexto dum interc\u00e2mbio pol\u00ed\u00adtico. Depois do golpe de setembro junto com seu companheiro Guarany ela conseguiu asilo provis\u00f3ria na Embaixada de M\u00e9xico. No M\u00e9xico eles conseguiram a permissao de entrar na B\u00e9lgica e ficar l\u00e1 entre o dia 13.12.73 e 1. 2.74. Em 10.2.74 sairam de l\u00e1 rumo \u00ed\u00a0 Rep\u00fablica Federal da Alemanha onde imediatamente e com o apoio de Amnesty International solicitaram as\u00ed\u00adlo pol\u00ed\u00adtico. Sabiamos do bispo Helmut Frenz de Santiago como era assustadora a onda de pris\u00e3es no Chile, destinada cegamente contra todas pessoas de orienta\u00e7\u00e3o esquerdista, antes de tudo contra os comunistas estrangeiros.<\/p>\n<p>Falei com alguns brasileiros em Col\u00ed\u00b4nia, e perceb\u00ed\u00ad como eles estavam extremamente inseguros e assustados. Por solidariedade humana (ou tamb\u00e9m motivado pelo sentimento da brasilidade, bem como por motivo de zelar como crist\u00e3o pela dignidade do ser humano) convidei os afim de que se mudassem para o nosso campus em Bochum, onde lhes garantiriamos amparo seguro, incluindo moradia, mensualidade e a participa\u00e7\u00e3o num curso de alem\u00e3o para graduados.<\/p>\n<p>No dia 19.2.74 a Dora e o Guarany foram inscritos como participantes no curso de l\u00ed\u00adngua alem\u00e3 do col\u00e9gio da Obra Ecum\u00eanica de Estudos em Bochum. Assim se criaram as pr\u00e9- condi\u00e7\u00e3es para que eles pudessem enfrentar as primeiras dificuldades deste seu segundo ex\u00ed\u00adlio.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o da recep\u00e7\u00e3o oficial dos novos bolsistas admitidos em Abril de 1974 na minha alocu\u00e7\u00e3o me destinei de maneira especial aos estudantes refugiados e exilados:<\/p>\n<p>&#8220;Quero agora dizer umas palavras destinadas espec\u00ed\u00adficamente aos nossos amigos que aqui se refugiaram, para encontrar segur\u00e2n\u00e7a pessoal e o come\u00e7o dum novo futuro: A Obra Ecum\u00eanica de Estudos atrav\u00e9s do Programa em favor aos estudantes refugiados deseja dar apoio humano ao homem perseguido e inquietado por raz\u00e3es s\u00f3cio\u2013pol\u00ed\u00adticas. A Igreja Crist\u00e3 em toda sua longa historia sempre se preocupou com refugiados. Quero dar apenas uns exemplos: CIMADE j\u00e1 durante a guerra acolheu judeus, social\u2013democr\u00e1tas, algerianos e pessoas que pertenciam a outros grupos; A Igreja Clandestina do 3er Reich surgiu essencialmente em oposi\u00e7\u00e3o \u00ed\u00a0 pol\u00ed\u00adtica antisemitista do governo alem\u00e3o, e em defesa dos cidad\u00e3os judeus; a Obra Diaconica em Stuttgart recebeu milhares de refugiados da regi\u00e3o de Biafra na Nig\u00e9ria, como tamb\u00e9m refugiados e desterrados proveniente de Vietn\u00e3 ou do Sud\u00e3o; a Obra Ecum\u00eanica de Estudos em Bochum protege um n\u00famero consider\u00e1vel de brasileiros, uruguaios, chilenos, angolanos e sulafricanos que optaram pelo ex\u00ed\u00adlio em vez de arriscar a sua liberdade ou at\u00e9 a propria vida; a Igreja Evang\u00e9lica da Alemanha (EKD) h\u00e1 muito tempo acolhe estudantes core\u00e2nos, e o Conselho Mundial de Igrejas (WCC) apoia um elevado n\u00famero de mo\u00e7ambicanos. Convidando\u2013lhes para viver conosco durante os proximos meses, queremo\u2013lhes dar pelo menos a oportunidade de aprender a l\u00ed\u00adngua, e lhes oferecer um ambiente humano e tranquilo. Parece\u2013me que s\u00e3o estas as pre\u2013condi\u00e7\u00e3es para um futuro concreto para voc\u00eas e para os vossos filhos. Sei que neste pa\u00ed\u00ads tamb\u00e9m h\u00e1 muita gente com falta de compreens\u00e3o junto ao estrangeiro, com um medo irracional dos marxistas, e h\u00e1 at\u00e9 agitadores pol\u00ed\u00adticos que querem tirar vantagens pol\u00ed\u00adticas atrav\u00e9s da pol\u00eamica que iniciaram contra a atitude do nosso governo social\u2013liberal. Mas voc\u00eas podem ter certeza de que n\u00f3s da Obra Ecum\u00eanica de Estudos aqui em Bochum sabemos que voc\u00eas n\u00e3o representam nenhuma quinta coluna em nosso meio. Sabemos que voc\u00eas s\u00e3o pessoas que merecem todo nosso respeito, toda nossa confi\u00e2n\u00e7a e todo nosso carinho por seu esp\u00ed\u00adrito elevado e por sua motiva\u00e7\u00e3o social. Temos verteza de que voces que n\u00e3o pensam em tirar vantagens pr\u00f3prias, mas que se preocupam com a justi\u00e7a social, que defendem a dignidade humana e que desejam paz para os irm\u00e3os l\u00e1 de al\u00e9m mar. Deixem\u2013me saudar\u2013lhes em nome de todos os funcion\u00e1rios da Obra Ecum\u00eanic de Estudos, e sejam bemvindos entre n\u00f3s aqui.&#8221;<\/p>\n<p>No semestre de ver\u00e3o de 1974 o Col\u00e9gio para Estudantes Estrangeiros da Obra Ecum\u00eanica de Bochum organizou um curso especial para os refugiados de Chile que realmente correspondeu \u00ed\u00a0 situacao espec\u00ed\u00adfica dos exilados. Foram os participantes deste curso de l\u00ed\u00adngua os estudantes Maria Auxiliadora Barcellos Lara, Julio Bittencourt, Irany Campos, Athos Magno Costa e Silva, Alu\u00ed\u00adsio Rodrigues Coelho, Marta Canedo, Miriam V\u00e1squez Os\u00f3rio, Mabel Pereira Montero, Samuel Reis, Eunice Diniz Reis, Jaime Rodrigues, Miriam Rodrigues, Reinaldo Guarany Sim\u00e3es Souto, Jos\u00e9 Jorge e Miriam Valjalo. Outros estudantes \u00b4refugiados latino-americanos como Antonio Canedo, Irene Reis Loewenstein, Luiz Travassos e Marijane Vieira Lisboa devido aos seus conhecimentos j\u00e1 avancados da l\u00ed\u00adngua alema foram admitidos ao curso regular para graduados.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da Copa do Mundo, em junho de 1974, por ordem do governo provincial, ela e outros refugiados tinham de se apresentar &#8211; tr\u00eas vezes ao dia, durante 21 dias &#8211; na Delegacia do Uni-Center de Bochum.<\/p>\n<p>Em outubro de 1974 se matriculou na Universidade Livre de Berlim. No m\u00eas de dezembro a Delegacia de Estrangeiros da cidade de Berlim avisou de que fora iniciado um processo por motivo de entrada ilegal \u00ed\u00a0 Rep\u00fablica Federal de Alemanha. A partir de maio Dora foi interdita de sair de Berlim. Em julho de 1975 expirou o documento de viagem expedido em Chile. Um funcion\u00e1rio da cidade negou-se de expedir um passaporte, alegando de que isso seria feito no momento da concess\u00e3o do as\u00ed\u00adlo pol\u00ed\u00adtico. Devido a isso, Dora entrou com uma queixa na AI London.<\/p>\n<p>Durante a prepara\u00e7\u00e3o para sua licenciatura, com a psique gravemente abala em fevereiro de 1976 teve de se submeter a um tratamento na clinica psiqui\u00e1trica de Spandau. Ap\u00f3s sua alta, continuou um tratamento ambulante. No dia primeiro de junho atirou-se diante trem do metr\u00f3, logo ap\u00f3s uma consulta com seu m\u00e9dico. Dora foi v\u00ed\u00adtima duma guerra sem perd\u00e3o, desaparecendo na primavera de sua vida, na sua juventude mesmo. No livro BRASIL: NUNCA MAIS (pg.247 f.) pode-se ler algo sobre o inferno da tortura pelo qual Dora havia passado durante a sua pris\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>0 destino de Maria Auxiliadora Barcelos Lara serviu de exemplo para a gera\u00e7\u00e3o de jovens idealistas que na \u00e9poca entraram no redemoinho pol\u00ed\u00adtico dos acontecimentos e nele pereciam ou padeciam de graves feridas.<\/p>\n<p>Para a estatistica e para a Policia Civil, a morte de Dora foi um caso claro de suicidio; para o jornal Bild-Zeitung, at\u00e9 mesmo suic\u00ed\u00addio por crise amorosa. Na verdade, Maria Auxiliadora foi morta por aqueles que a haviam torturado de maneira horr\u00ed\u00advel, sete anos antes, em pris\u00e3es brasileiras. A enfermidade ps\u00ed\u00adquica, em 1976, sem d\u00favida fora conseq\u00fc\u00eancia das tormentas fisicas e psiquicas que a ent\u00e3o mo\u00e7a de 25 anos tivera de sofrer nos seus dois anos de pris\u00e3o, mart\u00ed\u00adrio que a levou at\u00e9 o limite da loucura e mais al\u00e9m. Muitos j\u00e1 haviam morrido sob a tortura, outros morriam em sua conseq\u00fc\u00eancia e nas pris\u00e3es. Maria Auxiliadora pereceu sete anos depois, pelas desumanidades nela exercidas.<\/p>\n<p>Os pais de Dora haviam rogado pelo traslado do corpo. Maria Auxiliadora, por decreto do presidente M\u00e9dici, fora banida perpetuamente do Brasil. Perante as autoridades brasileiras expressei minha esperan\u00e7a de que o banimento tenha encontrado seu fim com a morte de Dora, e que n\u00e3o permanecesse em vigor ap\u00f2s essa trag\u00e9dia, pois j\u00e1 que n\u00e3o pudera mais p\u00ed\u00b4r os p\u00e9s na p\u00e1tria que amava sobre tudo, ao menos pudesse sepultar seu corpo destro\u00e7ado ou suas cinzas na terra p\u00e1tria para que sua fam\u00ed\u00adlia, profundamente castigada, pudesse despedir-se daquilo que tinha restado da filha, conforme direito e costume humano natural. Por essa argumenta\u00e7\u00e3o o pessoal diplom\u00e1tico da representa\u00e7\u00e3o brasileira na Rep\u00fablica Federal de Alemanha e em Berlim Ocidental demonstrou grande compreens\u00e3o e tamb\u00e9m o Minist\u00e9rio de Assuntos Exteriores em Bras\u00ed\u00adlia mostrou -se receptivo, de modo que o traslado do corpo p\u00ed\u00b4de ocorrer.<\/p>\n<p>Seja-me permitido de chamar aten\u00e7\u00e3o do fato de que naqueles anos os bispos no Brasil insistiam muito em lembrar o grande n\u00famero de pessoas na di\u00e1spora. Sei que tamb\u00e9m o presidente de Igreja, P. Karl Gottschald, repetidas vezes havia tocado no assunto dos exilados perante o presidente Geisel que, afinal, era mesmo membro da Igreja Evang\u00e9lica de Confiss\u00e3o Luterana (IECLB).<\/p>\n<p>Naturalmente tamb\u00e9m os amigos pol\u00ed\u00adticos se empenhavam por uma anistia ilimitada e pelo retorno dos exilados, mesmo que apenas raramente estivessem dispostos a dar-Ihes espa\u00e7o e oportunidade. Na Europa a International League for Rights and Libertation of the People lutou pela anistia, entre outros num congresso em Roma. Mas, antes de tudo, foi mais uma vez a Igreja Cat\u00f31ica que, in loco, assumiu a iniciativa. J\u00e1 h\u00e1 anos os bispos haviam destacado com vigor o destino dos exilados:<\/p>\n<p>&#8220;A anistia um direito juridico, quando a condena\u00e7\u00e3o se baseia na injusti\u00e7a Por isso n\u00e3o deve ser adquirida individualmente, rebaixando-se. A anistia \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a e deve ser definida pela lei e pelos tribunais; n\u00e3o pode ser rogada ou pedida.&#8221;<\/p>\n<p>Com essas palavras o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, em S\u00e3o Paulo, iniciou uma campanha pela irmandade. Ao mesmo tempo a Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) exigia o retorno dos exilados. Disse Arns, em entrevista \u00e4 imprensa: &#8220;Desde os prim\u00f3rdios da hist\u00f3ria a maior injusti\u00e7a que se tem feito a uma pessoa \u00e9 deix\u00e1-la sem p\u00e1tria. Brasileiro nenhum deve sossegar at\u00e9 que o governo esclare\u00e7a sua posi\u00e7\u00e3o e assuma a tarefa de estar \u00e1 disposi\u00e7\u00e3o de todos os brasileiros.&#8221;<\/p>\n<p>Como apoio ao empenho por uma anistia dos exilados, no Rio de Janeiro eu havia publicado na Tribuna da Imprensa do dia 11 de setembro de 1978 um apelo:<\/p>\n<p>&#8220;Chega de exilio! 0 Brasil hoje est\u00e1 a par da situa\u00e7\u00e3o amarga de milhares de compatriotas que vivem na di\u00e1spora europ\u00e9ia. 0 mundo inteiro ap\u00f3ia o seu retorno urgente ao pais que tanto amam, e que nestes longos anos nunca desonraram; muito ao contr\u00e1rio, guardaram em seus cora\u00e7\u00e3es como valor mais precioso, embora a conjuntura pol\u00ed\u00adtica Ihes tenha negado o direito de viver, trabalhar ou estudar em seu pa\u00ed\u00ads tranq\u00fcilamente, sem medo de sofrer toda esp\u00e9cie de repress\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o. Parece-me que chegou a hora em que se deve falar seriamente das vitimas daquelas confus\u00e3es pol\u00ed\u00adticas na Am\u00e9rica Latina, e dum a juventude que foi tra\u00ed\u00adda, duma gera\u00e7\u00e3o inteira que foi marcada pelos desumanos; de tantos jovens que foram sistematicamente destru\u00ed\u00addos por cidad\u00e3os desonestos, os quais significam uma vergonha para este grande povo brasileiro. \u00ed\u2030 hora de falar do grande idealismo da juventude de 1968 como exemplo duma gera\u00e7\u00e3o iludida, e como exemplo da humilha\u00e7\u00e3o que sofreu a maravilhosa juventude acad\u00eamica do Brasil. \u00ed\u2030 de chorar mesmo, quando se come\u00e7a a meditar sobre isso. Considero um dever falar disso, pois assisti de perto o que havia acontecido com essa juventude. Fui testemunha involunt\u00e1ria das crueldades que haviam sofrido muitos dos exilados brasileiros em sua p\u00e1tria antes de chegarem aqui, na Alemanha. Recordo-me da historia horrorosa que me contou um rapaz que, no decorrer do ano de 1968, era procurado pela Pol\u00ed\u00adcia &#8230; Fala-se oficialmente em 127 exilados, trocados h\u00e1 cerca de dez anos por embaixadores seq\u00fcestrados. S\u00e3o os assim chamados &#8216;banidos&#8217;. Seriam esses os \u00fanicos exilados? Disputa-se o n\u00famero exato da di\u00e1spora brasileira estipulado pela Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz, que tem em m\u00e3os uma lista de dez mil exilados. Ser\u00e1 que os governantes n\u00e3o sabem que j\u00e1 entre 1964 e 1968, at\u00e9 o come\u00e7o da era M\u00e9dici, o Brasil &#8216;exportou&#8217; centenas de professores e intelectuais de nome reconhecido? Um desses ilustres professores foi o senhor Paulo Freire, atualmente colaborador do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra. E quanta gente sem repercuss\u00e3o internacional, quantos estudantes seguiram nos anos de 1968 at\u00e9 1972 e, em menor escala, nos anos seguintes at\u00e9 o ano de 1976? Est\u00e1 na hora de abrir as portas para essa elite da na\u00e7\u00e3o, pessoal de altas qualifica\u00e7\u00e3es morais, c\u00ed\u00advicas, pol\u00ed\u00adticas, \u00e9ticas, profissionais e cient\u00ed\u00adficas. Creio que o Brasil at\u00e9 precisa dessa gente amadurecida pelas amarguras do exilio a fim de alcan\u00e7ar seus objetivos nos planos social, economico e pol\u00ed\u00adtico.\u201e<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o do Ecumenical Meeting da Obra Ecum\u00eanica em 3 de junho de 1976 muito magoado n\u00f3s nos lembramos da companheira de estudos. Num comunicado oficial eu tinha escrito: \u201eA Obra Ecum\u00eanica lamenta o falecimento de sua bolsista Maria Auxiliadora Barcellos Lara, que no dia 1 de junho em Berlim p\u00ed\u00b4s fim a sua vida. Esta morte nos deixa profundamente aflitos. Vemos na enfermidade ps\u00ed\u00adquica e na morte inesperada da companheira a derradeira consequ\u00eancia dos maus tratos por ela sofridas durante a sua pris\u00e3o no Brasil. A recomendamos \u00ed\u00a0s m\u00e3os bondosas de deus, que queira dar a ela a paz que n\u00e3o encontrou como refugiada no estrangeiro.\u201e Depois de olhavamos retrospectivamente \u00ed\u00a0 vida da Maria Auxiliadoras terminamos o encontro com uma ora\u00e7\u00e3o perante deus, que escuta os gritos dos miser\u00e1veis: \u201eEterno deus, magoado pelo desaparecer de Dora procuramos amparo contigo. Tu tens chamado ela para esta vida e a deste seus dons e suas tarefas; tu nos conduziste afim de que nos pudessemos tornad amigos dela. Agora ela desapareceu e n\u00f3s n\u00e3o a ajudamos na hora de desespero. Tu a conheces; conheces seu caminho, seus sofrimentos, sua angustia e sua culpa. Tu tamb\u00e9m conheces a nossa falha e tudo em que faltamos perante ela e que a ela ficamos devendo. Tu conheces seus derradeiros pensamentos, sua saudade e seu desespero numa situa\u00e7\u00e3o de impasse sem encontrar sa\u00ed\u00adda. Rogamos-te que deste a ela a paz que n\u00e3o encontrou no desterro. A recomendamos em tuas m\u00e3os.\u201e<\/p>\n<p>Em 2 de junho de 1976 recebemos a autorizacao telegr\u00e1fica dos pais de Belo Horizonte, Minas Gerais, para a trasladacao do corpo:<\/p>\n<p>AUTORIZAMOS VVSS PROMOVER REMOCAO SEU CORPO APOS LIBERACAO AUTORIDADE POLICIAIS. SOLICITAMOS ENCARECIDAMENTE SEUS ESFORCOS JUNTO GOVERNO ALEMAO E EMBAIXADA BRASIL EM BONN PARA IMEDIATA TRASLADACAO CORPO SEUS PERTENCENTES DOCUMENTOS PARA BRASIL.<\/p>\n<p>Numa carta do dia 16 de julho de 1976 Maria Helena Barcellos Ratton, a irm\u00e3 da Dora informou: &#8221; O corpo chegou no dia 17 de junho, e foi enterrado na manh\u00e3 seguinte, na presen\u00e7a de toda a nossa familia e de in\u00fameros amigos nossos e da Dora. Foi uma morte muito sentida por todos que a conheceram. Mas foi um grande consolo poder enterr\u00e1-la aqui, na p\u00e1tria que ela amava, junto ao povo pelo qual ela lutou. Antes do enterro foi celebrada missa e, nessa ocasi\u00e3o, mam\u00e3e leu uma mensagem escrita por ela mesma. Meus pais n\u00e3o tem conhecimento das verdadeiras condi\u00e7\u00e3es da morte da Dora. N\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00e3es psicol\u00f3gicas para contar-lhes, no momento, e eles acreditam ter havido um acidente. Para mim n\u00e3o deixou de ser um terr\u00ed\u00advel acidente.\u201e Numa.arta comovente que recebia dos pais, Waldemar und Cl\u00e9lia, se disse: \u201eA nossa grande esper\u00e2n\u00e7a, meu bom, pastor, era a de estar junto de voc\u00eas, por ocasi\u00e3o da entrega do diploma de m\u00e9dica e nossa filha diria ass\u00ed\u00adm: &#8220;Meus pais e Sr. Heinz Dressel aqui est\u00e1 o diploma, \u00e9 de voc\u00eas.&#8221;<\/p>\n<p>Eis o te\u00ed\u00b4r do convite ao Ato Comemorativo:<\/p>\n<p>A Obra Ecum\u00eanica de Estudos profundamente lastima o falecimento de sua estimada bolsista MARIA AUXILIADORA BARCELLOS LARA. Estamos dolorosamente comovidos, pois sabemos que a Dora foi gradativamente destru\u00ed\u00adda, f\u00ed\u00adsica- e ps\u00ed\u00adquicamente, por aqueles que, h\u00e1 anos, durante a sua pris\u00e3o no Brasil, a maltrataram b\u00e1rbaramente. Convidamos mui cordialmente os amigos de Maria Auxiliadora a participarem num Ato de Comemora\u00e7\u00e3o que realizar-se-h\u00e1 no dia 15 de junho de 1976, \u00ed\u00a0s 6 horas da tarde, na igreja evang\u00e9lica de Neu-Westend, Eichenallee 47, Berlin 19. Bochum, 9 de junho de 1976 &#8211; H. Dressel &#8211; Obra Ecum\u00eanica de Estudos.<\/p>\n<p>Ato de Comemora\u00e7\u00e3o em mem\u00f3ria da falecida bolsista da Obra Ecum\u00eanica, Maria Auxiliadora Barcelos Lara, 15 de junho de 1976, igreja evang\u00e9lica de Neu-Westend<\/p>\n<ol>\n<li>Prel\u00fadio (Jesus, meine Zuversicht, nro. 330)<\/li>\n<li>Introito e Sauda\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Hino (Wo Gott der Herr nicht bei uns h\u00e4lt, nro. 193)<\/li>\n<\/ol>\n<p>Se Deus n\u00e3o nos fortalecer<br \/>\nna f\u00faria do inimigo,<br \/>\ne a nossa causa defender<br \/>\nna ang\u00fastia e no perigo,<br \/>\nse o nosso amparo Deus n\u00e3o for,<br \/>\nvencendo o mal e seu furor,<br \/>\nperdidos estaremos.<\/p>\n<p>N\u00e3o podem for\u00e7as e saber<br \/>\ndos homens assustar-nos.<br \/>\nDeus \u00e9 supremo em Seu poder,<br \/>\nvencendo, h\u00e1 de salvar-nos.<br \/>\nEmbora queiram resistir,<br \/>\nDeus Seu caminho h\u00e1 de seguir.<br \/>\nAs Suas m\u00e3os governam.<\/p>\n<p>4. Leitura b\u00ed\u00adblica e Credo<\/p>\n<p>5. Hino (nro. 193)<\/p>\n<p>Consolo em abund\u00e2ncia d\u00e1s<br \/>\nsempre aos desamparados,<br \/>\njamais a porta fechar\u00e1s<br \/>\nda gra\u00e7a aos angustiados,<br \/>\ndiz a raz\u00e3o:&#8221;Perdido estou&#8221;,<br \/>\npor\u00e9m a cruz regenerou,<br \/>\nDeus, os que Ti esperam.<br \/>\nFizeste terra e c\u00e9u, Senhor,<\/p>\n<p>Deus todo-poderoso,<br \/>\nacende a luz do Teu fulgor<br \/>\nno cora\u00e7\u00e3o trevoso,<br \/>\nque em f\u00e9 e amor possa ele arder<br \/>\ne sempre em Ti permanecer.<br \/>\nQue o mundo se revolte!<\/p>\n<p>6.\u00a0 Alocu\u00e7\u00e3o P. Dressel e Ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>7. Outros oradores<\/p>\n<p>8.\u00a0 Ora\u00e7\u00e3o e Ben\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>9.\u00a0 P\u00f3sludio (Wachet auf, ruft uns die Stimme, Nro. 121)<\/p>\n<p>Come\u00e7amos este Ato de Comemora\u00e7\u00e3o em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O Senhor nos conforta em toda nossa tribula\u00e7\u00e3o, para podermos consolar aos que estiverem em qualquer ang\u00fastia, com a consola\u00e7\u00e3o com que n\u00f3s mesmos somos contemplados por Deus. Porque ass\u00ed\u00adm como tomamos parte nos sofrimentos de Cristo, ass\u00ed\u00adm tamb\u00e9m a nossa consola\u00e7\u00e3o transborda por meio de Cristo.<\/p>\n<p>Me permitem de saudar-lhes mui cordialmente e de agradecer-lhes por terem chegados aqui para assistir este Ato de Comemora\u00e7\u00e3o em homenagem \u00ed\u00a0 nossa querida Dora. Quero-lhes transmitir tamb\u00e9m as sauda\u00e7\u00e3es do sr. Vowe e dos demais colaboradores da \u00d6SW em Bochum. Dr. Vowe muito lamenta por n\u00e3o poder estar presente, por motivos de outros compromissos que o levaram para Bonn. Um abra\u00e7o cordial do amigo bolsista Sergio Menezes, Paris, com o qual falei esta manh\u00e3 em Bochum.<\/p>\n<p>Amanh\u00e3 o corpo de nossa estimada Maria Auxiliadora Barcellos Lara deve seguir \u00ed\u00a0 sua terra, e o que nos resta aqui \u00e9 a sua mem\u00f3ria, \u00e9 a impress\u00e3o que sua personalidade tem engravada em nossa alma. Profundamente chocados pela amarga experi\u00eancia que todos n\u00f3s fizemos nestes dias cheios de tristeza, ouvimos agora as palavras que o ap\u00f3stolo Paulo destinava aos crist\u00e3os romanos, no oitavo cap\u00ed\u00adtulo de sua carta:<\/p>\n<p>\u201eDiante de tudo isso, que \u00e9 que podemos dizer? Se Deus est\u00e1 do nosso lado, quem nos vencer\u00e1? Ele n\u00e3o poupou seu proprio Filho, mas o ofereceu por todos n\u00f3s! Se ele nos deu seu Filho, ser\u00e1 que n\u00e3o n\u00f3s dar\u00e1 tamb\u00e9m de gra\u00e7a todas as coisas? Quem acusar\u00e1 o povo escolhido de Deus? \u00ed\u2030 o proprio Deus quem declara que eles n\u00e3o t\u00eam culpa. Poder\u00e1 algu\u00e9m conden\u00e1-los? Foi Cristo quem morreu, ou melhor, quem foi ressucitado. Ent\u00e3o, quem pode nos separar do amor de Cristo? Ser\u00e3o os sofrimentos, as dificuldades, a persegui\u00e7\u00e3o, a fome, a pobreza, o perigo, ou a morte? Na verdade dizem as velhas escrituras, que estamos em perigo de morte o dia todo, que somos tratados como ovelhas que v\u00e3o para o matadouro. Mas, em tudo isto temos a vit\u00f3ria, por meio daquele que nos amou! Porque eu estou bem certo de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte nem a vida; nem governos nem outros poderes; nem o presente nem o futuro; nem nada no mundo. Em todo o universo n\u00e3o h\u00e1 nada que pode nos separar do amor de Deus, que \u00e9 nosso por meio de Jesus Cristo nosso Senhor.!<\/p>\n<p>Creio em Jesus Cristo<br \/>\ncuja vida era um exemplo<br \/>\nduma exist\u00eancia verdadeiramente humana.<br \/>\nEle fez a experi\u00eancia, na pr\u00f3pria vida dele,<br \/>\ncomo uma pessoa pode ser maltratada<br \/>\npelos pr\u00f3prio homens.<br \/>\nEle mostrou como se pode lidar com outros<br \/>\nat\u00e9 ao ponto do sacrif\u00ed\u00adcio da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Creio em Jesus<br \/>\nque me d\u00e1 testemunho do seu amor<br \/>\natrav\u00e9s de suas palavras e de seus atos,<br \/>\npelo testemunho e pela solidariedade<br \/>\ndos membros da comunidade em que vivo.<br \/>\nEle me livra de minha culpa<br \/>\ne do medo dos acontecimentos<br \/>\nque possam surgir em minha vida ou na hora da morte.<\/p>\n<p>Creio em Jesus<br \/>\nque me d\u00e1 \u00e2nimo de for\u00e7a<br \/>\npara arriscar minha vida,<br \/>\nque me encarrega com a tarefa<br \/>\nde guiar outros ele,<br \/>\nque me d\u00e1 apoio<br \/>\nafim de que eu possa amar<br \/>\nos outros como a mim mesmo,<br \/>\nassim honrando a Deus.<br \/>\nEle exige de mim<br \/>\no sacrif\u00ed\u00adcio de meu tempo,<br \/>\nde meus dons, de meu dinheiro,<br \/>\ne espera que eu emprego para outros<br \/>\ntanta fantasia e tanto entusiasmo<br \/>\ncomo para mim mesmo.<\/p>\n<p>A Obra Ecum\u00eanica de Estudos profundamente lastima o falecimento de sua bolsista Maria Auxiliadora Barcellos Lara.<\/p>\n<p>Desde o m\u00eas de fevereiro em tratamento m\u00e9dico, no dia 1 de junho, logo ap\u00f3s ter consultado seu m\u00e9dico, ela resolveu p\u00ed\u00b4r fim a sua vida.<\/p>\n<p>Para a pol\u00ed\u00adcia e para a estat\u00ed\u00adstica a morte da Dora consta como um caso evidente de suic\u00ed\u00addio. Em verdade, a responsabilidade por este falecimento cabe a aqueles que, h\u00e1 7 anos, na pris\u00e3o no Brasil, a t\u00eam submetido \u00ed\u00a0s mais cru\u00e9is torturas. A recente enfermidade da Dora, foi sem d\u00favida alguma o resultado dos tormentos f\u00ed\u00adsicos e ps\u00ed\u00adquicos, os quais a ent\u00e3o mo\u00e7a de 25 anos teve de aguentar durante sua pris\u00e3o de 2 anos no Brasil, tormentos que a levaram \u00ed\u00a0 margem da aliena\u00e7\u00e3o mental ou at\u00e9 mais al\u00e9m. Muitos morreram durante os atos da tortura, outros faleceram devido a suas consequ\u00eancias na pris\u00e3o. Maria Auxiliadora morreu sete anos depois.<\/p>\n<p>Maria Auxiliadora nasceu no dia 25 de mar\u00e7o de 1945 em Antonio Dias no Estado de Minas Gerais, onde seu pai trabalhava como agrimensor. Sua profiss\u00e3o o levou \u00ed\u00a0 regi\u00e3es as mais diversas, seja no Estado de S\u00e3o Paulo, em Goi\u00e1s ou no Estado do Rio de Janeiro. A fam\u00ed\u00adlia &#8211; Dora tem duas irm\u00e3s e um irm\u00e3o &#8211; era obrigada a sempre acompanhar o pai. Para os filhos isto significou que sempre tiveram de frequentar outras escolas e s\u00e9ries escolares, pois, nos anos de 50 ainda n\u00e3o havia o sistema homog\u00eaneo de educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria no Brasil.<\/p>\n<p>Os antepassados de Dora chegaram ao Brasil provenientes da It\u00e1lia, de Portugal, da Inglaterra e inclusive da \u00c1frica. Em Belo Horizonte, Dora estudou no Col\u00e9gio Nossa Senhora de F\u00e1tima. Um dos seus av\u00f3s havia ajudado a organizar uma escolinha num bairro pobre. Tamb\u00e9m a Dora, com 14 anos, junto com o seu irm\u00e3o, lecionava numa escola de favela durante um ano. Frente \u00ed\u00a0 mis\u00e9ria dos pobres da favela, imigrantes de zonas rurais \u00ed\u00a0s margens da Capital do Estado, na alma de Dora pela primeira vez surgiu a id\u00e9ia de estudar medicina. Como aluna do curso prim\u00e1rio ela sonhava de, mais tarde, tornar-se mission\u00e1ria. Quando mo\u00e7a, ela pensava em servir como m\u00e9dica numa das miss\u00e3es no pr\u00f3prio Brasil ou no estrangeiro. Em 1965 ela come\u00e7ou a estudar Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Durante o curso de Medicina, ela come\u00e7ou a perceber a mis\u00e9ria que a cercava, inclusive no terminal de vida, na sala de anatomia, onde ela tinha que preparar cad\u00e1veres que pareciam pertencer a sexagen\u00e1rios, mas em realidade pertenciam a trinten\u00e1rios, muitos deles falecidos por subnutri\u00e7\u00e3o, ou, em \u00faltima an\u00e1lise, de pobreza.<\/p>\n<p>Nos hospitais onde Dora serviu, havia mais clientes que leitos. Numa Cl\u00ed\u00adnica de Psiquiatria, onde Dora trabalhou como estudante, havia 80 clientes em dormit\u00f3rios planejados para 15 pessoas. Faltava alimenta\u00e7\u00e3o adequada. Submetia-se todos os doentes indiscriminadamente ao penoso processo do choque el\u00e9trico. Os doentes eram tratados mais como n\u00fameros do que como seres humanos.<\/p>\n<p>Com tudo isto a Dora se rebelou.<\/p>\n<p>Em 1968, ela fez parte do movimento estudantil. No Diret\u00f3rio Acad\u00eamico da Faculdade de Medicina exerceu o cargo de secret\u00e1ria.<\/p>\n<p>Naquele tempo &#8211; educada num catolicismo tradicional &#8211; ela chegou a interessar-se pelos livros de Sartre ou de Garaudy, adotando como sua cren\u00e7a filos\u00f3fica o existencialismo.<\/p>\n<p>Em 1968 Dora aceitou a ideologia marxista-leninista, admirando como grandes exemplos personalidades como Ch\u00e9 Guevara e Carlos Marighela. Havia bastante influ\u00eancia nos pensamentos de Maria Auxiliadora das teorias do jornalista franc\u00eas, Regis Debray, que, na Bol\u00ed\u00advia, havia acompanhado Ch\u00e9 Guevara at\u00e9 a sua derrota. O \u00faltimo livro de Debray apareceu sob o t\u00ed\u00adtulo: &#8220;A cr\u00ed\u00adtica das armas.&#8221; \u00ed\u2030 lament\u00e1vel que tal cr\u00ed\u00adtica veio tarde demais para a gera\u00e7\u00e3o estudantil dos anos de 1968 e 1969. Esta gera\u00e7\u00e3o de idealistas tornou-se objeto da mais severa repress\u00e3o governamental. Dora \u00e9 uma das v\u00ed\u00adtimas. Foi presa no m\u00eas de janeiro de 1969.<\/p>\n<p>Depois de dois anos como prisoneira pol\u00ed\u00adtica, Dora foi libertada, junto com outros 69 companheiros, em troca do embaixador sui\u00e7o, Giovanni Enrique Bucher. En Chile, onde recebeu asilo, ela continuou com o seus estudos. Em consequ\u00eancia do golpe do dia 11 de setembro de 1973, ela buscou asilo na Embaixada Mexicana. Via M\u00e9xico e B\u00e9lgica ela chegou \u00ed\u00a0 Alemanha no dia 10 de fevereiro de 1974. Naquele tempo cheguei a conhec\u00ea-la na casa dos nossos amigos Heberle, em Col\u00ed\u00b4nia.<\/p>\n<p>Desde o dia 1 de mar\u00e7o do mesmo ano ela &#8211; junto com outros refugiados provenientes de Chile &#8211; era bolsista da Obra Ecum\u00eanica de Estudos (\u00d6SW). Entre abril e setembro ela conviveu conosco no campus de Obra Ecum\u00eanica de Estudos. Logo ap\u00f3s a sua chegada em Col\u00ed\u00b4nia pediu asilo pol\u00ed\u00adtico, que at\u00e9 o presente momento n\u00e3o lhe foi concedido.<\/p>\n<p>Durante a Copa do Mundo, em junho de 1974, junto com outros refugiados, ela foi obrigada a apresentar-se no posto policial do Uni-Center em Bochum, frequentemente 3 vezes por dia.<\/p>\n<p>No m\u00eas de outubro, Dora matriculou-se na Universidade Livre dessa cidade. Em plenos preparativos ao exame estadual, a Dora ficou seriamente enferma e por isso hospitalizou-se por algum tempo. Depois continuou o tratamento como paciente ambulante. No dia 1 de junho ela partiu desta vida.<\/p>\n<p>Os pais e parentes de nossa estimada amiga Dora pediram encarecidamente pela traslada\u00e7\u00e3o do corpo ao Brasil, de onde ela, por um decreto do presidente M\u00e9dici, fora banida por tempo de vida. Terminou este prazo com a sua morte, e os pais v\u00e3o receber o que ficou e entregar o corpo \u00ed\u00a0 terra brasileira.<\/p>\n<p>Fiquemos em sil\u00eancio agora em mem\u00f3ria de Maria Auxiliadora e na ora\u00e7\u00e3o perante Deus que ouve o clamor dos oprimidos:<\/p>\n<p>Senhor, nosso Deus, profundamente entristecidos pelo s\u00fabito desaparecimento de nossa querida Dora procuramos amparo junto a Ti. Tu a chamaste \u00ed\u00a0 vida e lhe deste dons, talentos e objetivos; Tu nos deste o privil\u00e9gio de chegar a conhec\u00ea-la. Ela agora nos deixou atr\u00e1s, e n\u00f3s estivemos ausentes na hora de seu desespero. Tu a conheces: Tu conheces seu caminho, suas dores, sua ang\u00fastia e sua culpa. Tu tamb\u00e9m sabes em que n\u00f3s falhamos e o que ficamos devendo a ela. Tu conheces seus \u00faltimos pensamentos, sua saudade e sua situa\u00e7\u00e3o de impasse. Rogamos-te: concede-lhe a paz que ela n\u00e3o encontrou no estrangeiro. A recomendamos em tuas m\u00e3os. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>Deus Criador e Autor da vida, que entregues a n\u00f3s este mundo para que juntos possamos compartilhar o que Tu criaste; Deus de amor, que atrav\u00e9s de Jesus Christo compartilhas nossos sofrimentos; Deus da esperan\u00e7a, cujo esp\u00ed\u00adrito ilumina e d\u00e1 poder e confian\u00e7a nas tar\u00e9fas que Tu nos tens dado: Para que em meio de situa\u00e7\u00e3es quase insuport\u00e1veis possamos ainda nos congregar e ouvir sua palavra de apoio e conforto, oremos ao Senhor. Para que se crie uma comunidade tal que nos inspire, que nos mantenha juntos a nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s em todas as partes do mundo, oremos ao Senhor. Para que os pobres saibam se reunir na defesa de seus direitos, oremos ao Senhor. Para que lutemos sem esmorecimento contra o mal e a opress\u00e3o, que empregemos a nossa liberdade em favor da justi\u00e7a entre os homens e na\u00e7\u00e3es, oremos ao Senhor. Para que todos que sofrem violencia das injusticias humanas encontrem em Jesus for\u00e7as para continuar sua luta pela justi\u00e7a e pelos direitos humanos, oremos ao Senhor. Sem Ti n\u00e3o teremos poder. Portanto oramos em conjunto:<\/p>\n<p>Pai nosso que est\u00e1s nos c\u00e9us, santificado seja o teu nome, venha a n\u00f3s o teu reino, seja feita a tua vontade assim na terra como no c\u00e9u, o p\u00e3o nosso de cada dia nos d\u00e1 hoje, e perdoa-nos as nossas dividas assim como n\u00f3s perdoamos aos nossos devedores, e n\u00e3o nos deixes cair em tenta\u00e7\u00e3o, mas livra-nos do mal, pois teu \u00e9 o reino e o poder e a gl\u00f3ria para sempre, Am\u00e9m.<\/p>\n<p>O Senhor nos aben\u00e7\u00e3e e nos guarde,<br \/>\no Senhor fa\u00e7a resplandecer o seu rosto sobre n\u00f3s<br \/>\ne tenha miseric\u00f3rdia de n\u00f3s,<br \/>\no Senhor sobre n\u00f3s levante o seu rosto<br \/>\ne nos d\u00ea a paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><strong>H. Dressel<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias estivemos em Berlim, aproveitando a ocasi\u00e3o para visitar uns lugares onde em meados da d\u00e9cada 70 andava nossa amiga brasileira Maria Auxiliadora Barcelos Lara. Na \u00e9poca ela foi bolsista do Programa Ecum\u00eanico de Bolsas de Estudos mantido pela Igreja Evang\u00e9lica da Alemanha. 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